FutebolGlobal

Segunda-Feira, 22 de Julho de 2019


DOMINGOS DA GUIA

O primeiro herói negro do futebol brasileiro. Estilo clássico, elegante, lento mas com uma noção de espaços que o fazia chegar sempre antes do adversário. Criou escola, em oposição a um modo de jogar meramente marcador e rebatedor do beque. O primeiro a driblar, passar ou sair jogando, que eram recursos só de meias e atacantes: ídolo e campeão no Rio, Buenos Aires e Montevidéu; além do Corinthians Paulista, onde jogou de 1944 a 1947. Entrou para a história como o “Divino Mestre”.

Habilidoso e estilista, Domingos da Guia fazia as coisas a seu modo. Protegia a bola com categoria e saia com ela sem temer atacantes, driblando os que aparecessem pelo caminho. Jogada ousada era sua marca registrada e passou a ser conhecida como “domingada”. O jeitão abusado encontra explicação na várzea de Bangu, subúrbio carioca. Desde criança, exibia seu talento incomum para um becão. Sair driblando, em plena área, já era conseqüência natural para alguém único como ele.

MUSEU DO FUTEBOL

Grande área

Na entrada do Museu o visitante se depara com uma sala recheada de raridades nas paredes. São flâmulas, bandeiras, jogo de botão, cartazes, chaveiros e sem-número de apetrechos ou adereços de clubes dos mais inusitados. Há também uma maquete do Museu, em que todos se localizam e planejam cada sala que irão visitar. Um mapa em 3D do Museu chama a atenção pelo detalhismo das informações. O chão é coberto por imagens de pés, que indicam os caminho a ser percorrido.

Sala dos Gols

A Sala dos Gols resgata gravações de vídeos com narrações originais de gols históricos. A parede de computadores, controla os arquivos de áudio e também os Anjos Barrocos na mesma sala. São narrações e comentários de Armando Nogueira e Luis Fernando Veríssimo, entre muitos outros. O universo de narrações radiofônicas não poderia faltar, apresentadas em espécies de rádios antigos em que cada sintonia é narração de um gol (Ary Barroso, Fiori Giglioti, Jorge Cury, Osmar Santos).

Sala Estatísticas

Nada muito tecnológico. Tratam-se de painéis imensos com datas, placares e números da história do futebol. Há espaço para futsal, futebol feminino e até para as mães dos juízes. Sim, vídeos com mães de árbitros em pequenos monitores de LCD, revelam divertidos exemplos daquelas que são as mulheres mais xingadas por qualquer torcida de futebol. Na sequência, há a Dança do Futebol, em que o visitante revê os gestos e movimentos, que fazem espetáculo visualmente deslumbrante.

Copas do Mundo

Painéis fotográficos se fundem a painéis holográficos e monitores de LCD, para reproduzir fotos e vídeos de todas as Copas. A Sala já foi projetada para abrir outro espaço, a cada Copa realizada. Obviamente, não poderia faltar homenagem especial a Garrincha e a Pelé, que são 2 das maiores expressões do futebol mundial, de todos os tempos. Há inclusive a camisa original que Pelé usou na final da Copa de 1970. Essa preciosidade é tão grande, que há um guarda só para cuidar dela.

Sala da Exaltação

Construída na parte de trás da arquibancada do Pacaembu, a Sala isolada acusticamente de todas as outras, projeta imagens da festa de torcidas de 30 diferentes clubes brasileiros. As imagens são fantásticas e tem efeitos de luz, sincronizados com as festas das arquibancadas. O impressionante nem são as imagens em si, mas o som. Gritos de torcidas, parecem vir de todos os lados, graças a estudo acústico: a sincronia entre áudio, luzes e vídeos é por computadores interligados por cabos.

Jogo de Corpo

Um campo de futebol virtual é projetado no chão e o visitante chuta a bola para o gol. A bola é um holograma que responde visualmente aos chutes. Os projetores Epson localizados no teto, cruzam informações e reconhecem a sombra do visitante na hora do chute, dando aí um efeito holográfico fascinante. Pode-se treinar habilidades de chute em trave real, com um goleiro virtual, que pula na direção do chute com bola de verdade, sincronizando velocidade do chute com a defesa do goleiro.

Sala dos Heróis

A memória do povo é resgatada aqui por poetas, pintores, músicos, pensadores e jogadores, como Villa-Lobos, Carlos Drummond de Andrade, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Mário de Andrade, Carmen Miranda, Leônidas da Silva e Domingos da Guia, entre muitos outros, retratados em painéis cheios de efeitos de luz. Ao lado desta Sala dos Heróis, há a do Rito de Passagem, que retrata a perda da Copa do Mundo 1950. Batidas de coração são sincronizadas com vídeo do jogo.

Anjos Barrocos

Após subir a primeira escada e lá ser recepcionado por uma imagem do Pelé em tamanho real, em uma tela gigante, a primeira Sala é a dos Anjos Barrocos. São ídolos do futebol de várias gerações retratados em painéis tridimensionais que foram construídos para refletir a imagem de cada um em todas as direções. Eles parecem estar flutuando e efeito é fantástico. Na Sala das Origens ao lado, é narrado o futebol do início do século 20 com 400 fotografias de clubes tradicionais até uniformes.


POPULARIZAÇÃO DO FUTEBOL

A partir de Miller, a prática começaria a se expandir pela cidade, ao mesmo tempo em que chegava a outros estados brasileiros, como o Rio de Janeiro. Aos poucos os clubes sociais passaram a criar seus departamentos de futebol e já surgiram os primeiros torneios. No início o futebol era praticado por pessoas de classes sociais mais altas, que tinham acesso aos locais restritos onde esporte era jogado. Aos poucos foi se massificando, atingindo o alto interesse da população menos favorecida.

Começou assim a tradição do país no esporte popular. Com muitos praticantes em todo o território nacional, o Brasil passou a disputar e a se destacar em torneios internacionais. Os primeiros ídolos brasileiros são da década de 1920. Nessa época os grandes nomes do futebol paulista eram Arthur Fridenreich e Neco. Depois, na década de 1930, surgiram Leônidas da Silva e Domingos da Guia, que representaram o país no Mundial de 1938 na França quando a seleção ficou em terceiro lugar.

PRIMEIRA SELEÇÃO

Quem introduziu a novidade foi um filho de britânico: Charles Miller. As bolas que ele trouxe na sua bagagem eram inglesas. O primeiro livro de regras apresentado teve que ser traduzido e a Seleção brasileira, o símbolo supremo dos nossos torcedores, enfrentou como primeiro adversário, um time inglês. Após excursão pela Argentina, o Exeter City, da terceira divisão do futebol inglês, aceitou o convite da FBS (Federação Brasileira de Sports), para um amistoso contra o selecionado nacional.

Nascia a primeira Seleção Brasileira, em 1914. A FBS, representada por pool de cartolas, chamou os melhores jogadores do Rio e de São Paulo, entre eles o goleiro Marcos Mendonça e o artilheiro Friendereich. Não havia técnico oficializado e no campo a equipe foi liderada pelo capitão Rubens Salles e Sylvio Lagrecca. Em 21 de julho, 3000 pessoas no Estádio Laranjeiras. Técnica brasileira contra jogo bruto inglês: Brasil 2 x 0 Exeter City gols de Oswaldo (Fluminense) e Osman (América).

TÍTULO PIONEIRO

A Seleção Brasileira disputou sua primeira competição no exterior, a Copa Roca, em 1914, em um jogo decisivo contra a Argentina.  A taça foi uma doação do general Julio Roca, então ministro das Relações Exteriores da Argentina. O objetivo foi fortalecer cordialidade esportiva entre os 2 países. No dia 27 de setembro a Seleção entrou no campo do Gymnasia Y Esgrima para a primeira partida oficial contra uma federação estrangeira. Os argentinos, mais experientes em jogos internacionais.

Eles davam como certa a vitória, mas não conheciam um baixinho chamado Rubens Salles, o autor do gol que deu pioneira vitória em partidas oficiais e em conseqüência primeiro título internacional. O golaço foi aos 13 minutos do primeiro tempo. Salles deu o chute indefensável de fora da área. A bola subiu, pegou efeito e enganou o goleiro. No retorno dos primeiros campeões com a camisa da Seleção Brasileira, a multidão tomou o Cais do Porto, Rio de Janeiro, para recepcionar os craques.