FutebolGlobal

Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019

No ano de 1871, foi criada a figura do guarda-redes (goleiro) que seria o único que poderia colocar as mãos na bola e deveria ficar próximo ao gol para evitar a entrada da bola. Em 1875 já era então estabelecida uma regra do tempo de 90 minutos. O profissionalismo no futebol foi iniciado somente em 1885 e no ano seguinte seria criada, na Inglaterra, a International Board, entidade cujo objetivo principal era estabelecer ao nível internacional as regras do futebol e mudá-las quando necessário.

Em 1888, foi fundada a “Football League” com a finalidade de organizar os torneios e campeonatos internacionais. Em 1891, estabelecido o pênalti, para punir a falta dentro da área. No ano de 1897, uma equipe de futebol inglesa chamada Corinthians fez uma excursão fora da Europa, contribuindo para difundir o futebol em diversas partes do mundo. No ano de 1904, foi criada a FIFA (Federação Internacional de Futebol Association), a quem compete até hoje organizar o futebol no mundo todo.

Composto por 2 representantes de cada uma das 4 (quatro) federações de futebol do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda), o IFAB se reuniu pela primeira vez no dia 2 de junho de 1886, por sugestão da federação inglesa. Em época em que o esporte bretão não era praticado da mesma maneira em todos os países, o órgão foi instituído a fim de elaborar e proteger as regras fundamentais. O objetivo do IFAB é preservar as regras do Futebol, sua aplicação ou modificação.

Com o rápido crescimento do futebol pelo mundo, 7 países se reuniram em Paris em maio de 1904 para criar a Fédération Internationale de Football Association (FIFA). Em 1906, o então presidente do IFAB, Daniel Burley Woolfall, sucedeu o francês Robert Guérin na presidência da FIFA. Naquele mesmo ano, o IFAB afiliouse à FIFA e em 1913 a FIFA tornou-se membro do IFAB. A parceria das entidades que regulamentam futebol internacional é portanto muito antiga e se perpetua no tempo.

Com uma grande reformulação da estrutura do IFAB, a FIFA recebeu a mesma representatividade que as 4 federações britânicas juntas. O sistema de deliberação do órgão prevê 8 votos, dos quais 4 cabem à FIFA. Os demais seguem divididos entre a Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda. Contudo a maioria de 3/4 dos votos continua sendo necessária para a aprovação de qualquer nova medida: já aconteceu a 127ª Assembléia Geral e anual do International Football Association Board.

Existem no total 17 regras para o Futebol, estabelecidas pela “International Board” e só podem ser alteradas pela mesma. Cada equipe é composta de 11 jogadores (excluindo seus reservas que são em número variável, no qual um deve ser o goleiro, porém só podem ocorrer três substituições). O mínimo de jogadores permitido na partida em andamento é de 7. Se uma equipe ultrapassar esse número (por expulsão ou impossibilidade de troca) o jogo será terminado com o placar que estava.

O impedimento, a regra que mais causa polêmicas no futebol, foi definido desde a implementação do primeiro regulamento, em 1863. À época, considerava-se impedido todo atleta que estivesse à frente da linha da bola. No final da década de 1860, o IFAB criou a sua “regra do terceiro jogador” pela qual um atacante deveria ter pelo menos 3 defensores à frente para que tivesse condições de jogo. A norma possibilitou mais troca de passes e vigorou até 1925, reduzida só para 2 jogadores.

Jogadores a dar condições ao atacante, podem ser um goleiro e um jogador de linha ou 2 de linha. As exceções a regra do impedimento são unicamente os casos de lançamentos diretos de tiros de meta, arremessos laterais, escanteio; e situações específicas: quando o jogador a receber o passe encontra-se no campo de defesa ou quando está atrás da linha da bola. Mudança importante foi a emenda à regra do impedimento em 2005: beneficiou o jogo ofensivo e aumentou chance de gols.

O tiro de meta surgiu em 1869 e o escanteio em 1872. O primeiro pênalti, foi apitado em 1891, mas até 1902 podia ser cobrado de qualquer ponto situado a 11 metros da meta adversária. O número de gols marcados cresceu a partir de 1912, depois que se proibiu os goleiros de segurarem a bola com as mãos fora da área. Tiro de meta é quando a bola sai pela linha de fundo, tocada por último por jogador do time atacante e é cobrado pelo time da defesa (o goleiro ou qualquer outro jogador).

Quando a bola sai pela linha de lado do campo o jogo é interrompido e o time adversário àquele do jogador que tocou na bola por último, deve devolver a bola ao campo; neste caso, para recolocá-la em jogo é necessário usar as 2 mãos cobrando Arremesso Lateral. Os escanteios ocorrem quando a bola saiu pela linha de fundo do campo, tendo sido tocada por último por um jogador do time que estava na defesa, sendo cobrado sempre pelos atacantes recolocando a bola em jogo com os pés.

A partida é controlada por um árbitro, que terá “autoridade total para fazer cumprir regras de jogo”, sendo que “suas decisões sobre fatos do jogo são definitivas” (Regra 5). O árbitro é auxiliado por 2 assistentes (bandeirinhas), que ficam nas linhas laterais do campo ajudando na marcação de faltas e impedimentos. Nos jogos oficiais já há também um quarto árbitro, no caso de precisar substituir o árbitro que controla a partida, que hoje pode informar incidentes ao árbitro principal durante o jogo.

Uma falta se dá quando um jogador comete uma das ações listadas na Regra 12, entre as quais os pontapés sobre um adversário, rasteiras e empurrões, entre outras agressões. O juiz marca a falta e o jogador que sofreu a infração deve cobrá-la, no local onde ocorreu. Tal cobrança pode ser feita por tiro livre direto ou tiro livre indireto, dependendo da natureza da infração. Nos tiros livres diretos o jogador pode chutar a bola para tentar o gol e nos indiretos ele tem que tocar para outro jogador.

Ainda há uma falta especial, o pênalti ou penalidade máxima. Ele ocorre quando a falta é cometida dentro da área penal. Nesse caso a bola é colocada no ponto penal e os 2 times (com exceção do cobrador e do goleiro que irá tentar defender a cobrança) devem ficar fora da linha, podendo entrar só quando tal cobrança for feita. O goleiro deve ficar na sua linha de meta, só podendo se deslocar para os lados nunca para a frente. Qualquer contravenção será punida com repetição da cobrança.

Faltas mais violentas, que de acordo com a regra sejam típicas de uma conduta antidesportiva, são punidas com cartão amarelo. Se o jogador receber 2 cartões amarelos na mesma partida é expulso de campo, sendo-lhe apresentado o cartão vermelho, também usado em casos de faltas extremas. No caso de falta ter sido cometida mas na continuação da jogada a bola continuar com a posse do time que a sofreu, o árbitro pode optar por vantagem pois parando o jogo ele beneficiaria o infrator.

 O comprimento do campo de jogo numa partida oficial deve ser desde 100x64 até 120x90 metros e em partidas internacionais a medida de 105x70 metros. O gol deve ter 7,32 metros de uma trave a outra e a distância entre o travessão (trave superior) e o chão deverá ser de 2,44 metros, com suas redes utilizadas colocadas presas de forma que não atrapalhe o goleiro. Na frente de cada gol há a área penal (grande área), que são 2 linhas perpendiculares à linha de meta a 16,5m de cada poste.

Essas linhas se unem com uma linha de 40,3 metros paralela à linha de meta. Toda essa área bem  delimitada é a área penal. Em cada área penal a 11m do ponto médio entre as traves há um ponto penal, onde a bola é colocada no caso de um pênalti. A bola deve ter uma circunferência de 70 cm no máximo e 68 cm no mínimo: o peso da estrela do jogo, no início da partida, deverá ser de 450 g no máximo e de 410 g no mínimo. A pressão deve ser de 0,6 a 1,1 atmosferas (600 - 1.100 g/cm²).

As partidas oficiais são compostas de 2 tempos iguais de 45 minutos cada um. Entre esses tempos há um intervalo, que não poderá exceder 15 minutos. O árbitro da partida pode acrescentar alguns minutos ao final de cada tempo, devido ao jogo ter ficado parado por contusões e/ou substituições. O tempo de acréscimo é sinalizado pelo quarto árbitro através de uma placa eletrônica. Durante os acréscimos que dificilmente ultrapassam 3 ou 4 minutos o juiz poderá acrescentar mais um minuto.

A regra número 4 do futebol estabelece todos itens básicos que devem fazer parte do uniforme dos jogadores para uma partida oficial. Qualquer material utilizado que possa ser considerado perigoso para o próprio atleta ou seu oponente, é vetado pela Fifa, como colares, brincos, anéis, pulseiras e relógios. O outro veto é em relação ao uso de qualquer acessório que traga mensagens opinativas, pessoais, religiosas e/ ou políticas. O jogador, clube ou seleção que exibi-las, pode sofrer sanções.

NUMERAÇÃO NA CAMISA

O uniforme de um jogador de futebol consiste nos equipamentos muito básicos: Camiseta (manga curta ou longa); Calção; Meias; Chuteiras; Caneleiras; e Luvas (goleiro). Uma grande novidade do futebol internacional a mais de 100 ano foi a numeração dos jogadores. A 1ª partida com números nas camisas ocorreu em 1911, na Austrália. Foi num jogo local em Sydney, com ambas equipes de “soccer” usando numerações diferentes em suas costas, fato inédito na história do futebol mundial.

Desde 1912 os times de Nueva Gales del Sur foram obrigadas a usar números em torneios oficiais: assim, o uso da numeração nas costas de jogadores, foi um invento australiano e não britânico. Na Europa surgiu em 1928 no campeonato da Inglaterra, em uma partida entre Arsenal e Hillsborough. A idéia partiu do treinador Herbert Chapmann, que buscava maneira fácil e prática de identificar os comandados. Depois propagou-se por todo o continente europeu e em seguida para outros países.

Em 1933 se tornou “item obrigatório” pela federação inglesa, a pedido das emissoras de Rádio. Em muitos campeonatos do velho mundo, até 76 anos atrás, foram usados os números nas costas do jogador de futebol como ocorria com os jogadores de Rugby. Todavia, na Copa do Mundo de 1938, já havia saído da moda. Aliás, a FIFA ainda não exigia nenhuma numeração no certame mundial e nem pensava nisso. Era justificável tal novidade, já que era permitida a substituição dos jogadores.

Com esse hábito, a confusão que se fazia com entrada e saída de jogadores era bem grande, não sendo útil a numeração em campeonato local; isso porque jogadores eram identificados facilmente em campo. O mesmo não acontecia porém em jogos entre seleções, onde o público não conhecia os visitantes. Em 1939 a International Board finalmente recomendou de forma oficial a utilização da numeração. A primeira competição em que passou a valer foi a Copa do Mundo de 1950, no Brasil.

TRANSFERÊNCIAS

O novo sistema eletrônico de transferências de jogadores começou a ser usado e a partir de 2010 tem caráter obrigatório. A decisão foi tomada em meio a um encontro do Comitê Executivo da FIFA que aconteceu no Rio de Janeiro. Tal sistema torna as negociações públicas e mais transparentes, necessário por tratar de jovens atletas e cidadãos. O mecanismo que inclui as medidas para limitar transferência de menores de idade, foi criado com a colaboração de 108 federações e 1120 clubes.

TECNOLOGIA DO GOL

Foi gol ou não? Os árbitros não são mais obrigados a decidir sozinhos, sem ajuda das tecnologias, se a bola cruzou ou não a linha. Após meses de testes em vários países, a IFAB decidiu introduzir no futebol a tecnologia na linha do gol. Das 8 empresas na rodada de testes, 2 sistemas aprovados se candidataram como licenciadas. Assim que a bola equipada com pequeno dispositivo eletrônico, cruza a linha completamente, é detectada alteração no campo magnético, fixando a posição exata.

O uso da tecnologia da linha do gol (TLG) já foi utilizada na Copa das Confederações 2013, após a FIFA nomear a empresa GoalControl GmbH como fornecedora oficial de TLG na competição. Com sede na Alemanha, ela usa 14 câmeras de alta velocidade ao redor do gramado como parte de seu sistema GoalControl-4D. Quando um gol é marcado no jogo, um alerta é enviado bem rapidamente para o árbitro e todos auxiliares, por meio de vibração e uma mensagem exibida nos seus relógios.

O dia 5 de julho de 2012 foi uma data histórica para o futebol internacional e para a IFAB. No 127º ano de sua existência, ela decidiu aplicar a tecnologia ao futebol, ainda que apenas à linha do gol. É uma decisão moderna e importante, porque o objetivo deste esporte é fazer gols. Com evolução da técnica e da tática, ficou mais difícil. Mas agora, o uso da tecnologia ajuda a identificar se a bola entrou. É auxílio ao árbitro: em menos de um segundo já é informado da ocorrência ou não do Gol.